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QUEM SOU

Professor de Filosofia, gosto da palavra, que vem em forma de vivência, depois reflexão e, por fim, escrita (ou seria tudo junto, ao mesmo tempo?). Escrevo artigos, ensaios, livros e poemas. Abasteço meu pensamento em autores como Nietzsche, Schopenhauer e Hans Jonas e tento pensar sobre problemas que nos afetam sob esses espaços infinitos que nos ignoram.

Entre meus livros, estão os 3 volumes da Coleção Sabedoria Prática ("Sabedoria Prática", "Filosofia da Viagem" e "Elogio à Simplicidade", que já estão na terceira edição). Ano passado lançamos, Marcella Lopes Guimarães e eu, a Coleção Café com Ideias, cujo primeiro volume é "Diálogo sobre o Tempo: entre a filosofia e a história". Você pode encontrar no site: www.livraria.pucpr.br

Além disso escrevi "A solidão como virtude moral em Nietzsche"; "Para uma ética da amizade em Friedrich Nietzsche" e "Compreender Hans Jonas". Sou co-autor de: "Ética, técnica e responsabilidade"; "Vida, técnica e responsabilidade"; "Ética de Gaia"; entre outros.


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sexta-feira, 14 de abril de 2017


IMAGEM:
http://osentendidos.revistaforum.com.br/2016/07/27/existe-futuro-para-identidade-gay/ 

A frase foi escrita em panfletos e distribuída pela vizinhança como recepção a um casal homoafetivo que está se mudando para uma rua de Curitiba. Mas não pense que ela é bem-intencionada. Ao contrário, foi usada como injúria e insulto, junto a outras barbaridades que não escondem as taras e o desequilíbrio do seu autor. O texto é um bom exemplo do quanto a alegria continua perigosa e o amor, condenável. Pensa, o imbecil, que a orientação sexual de cada um é assunto público e que o sexo é depravação contra a qual resta aos puros de coração guardar-se desses pretensos abusos encobrindo os olhos e ouvidos de crianças indefesas. Acha, o energúmeno, que a caminhada matinal de dois homens que se amam pode perverter a sociedade, a ordem e os bons costumes. Acredita, o pateta, que essas coisas existem e que são tão frágeis que o mero passeio dos vizinhos pela rua poderia afetá-las decididamente.
O pior, contudo, é que esse desequilibrado supõe que a alegria deve ser recriminada, proibida e convertida em crime público. Ainda mais se ela vier acompanhada de algum ato de carinho. Seu desejo, ao que parece, é reduzir o mundo à seriedade rangente de suas engrenagens de ódio e intolerância. Ao retilíneo azedo de suas crenças. Ao pavor de seus panfletos. Ao sinistro de suas ideias preconceituosas, descabidas, ultrapassadas.
Ao que consta, a palavra gay, em quase todas as línguas, fala do que é alegre, jovial, impetuoso, entusiasmado. No bairro Água Verde, dessa parte vergonhosa da tal república de Curitiba, cada dia mais intolerante e fascista, a palavra foi transformada em um xingamento. Não fosse a gravidade do ato, tudo seria risível. Mas também aqui a alegria precisa ser levada a sério.
Quando minha amiga Marcella Lopes Guimarães e eu escrevemos o Diálogo sobre a alegria” *, lançado no mês passado, nós chamamos a atenção para a importância de refletir sobre esse assunto e para a múltipla história de censura que o tema acumulou ao longo dos tempos. A alegria, ao que parece, continua incomodando. Mas o que mais incomoda é que os deputados BBB (Bala, Boi e Bíblia), eles mesmos, cujos nomes derramam-se em listas e mais listas de corrupção, não tenham aprovado uma lei capaz de tipificar a homofobia como crime. Negam-se a garantir o direito àqueles que só querem viver alegremente. E porque esses políticos escarram suas palavras de ódio diariamente sob aplauso de muita gente de bem, o asno do Água Verde haverá de repetir seus impropérios e outros o seguirão, fazendo do Paraná um dos Estados onde mais se mata homossexuais do Brasil, junto com São Paulo, Rio e Minas Gerais.

Agora que o sábado de aleluia se aproxima e que a alegria da páscoa deveria reinar, eu temo pelas crianças que nascem nessa rua do Água Verde. Temo pelos jovens que habitam, silenciados, as suas esquinas. Pelas gentes indefesas que se escondem do ódio atrás de portas fechadas. Temo profundamente pelo cárcere sombrio onde querem que elas permaneçam. Temo pelo amor que lhes é negado. Pelo que elas poderão sofrer caso pretendam seguir sua orientação sexual. Temo pelas dores que gente como esse palerma pode causar a elas. Temo pela privação de alegria que esse confinamento provoca. Temo pelo silêncio dos outros. Temo pelas sombras que ainda impedem que a alegria ilumine nossas ruas. 

PUCPRESS, 2016 (http://www.livrariacultura.com.br/p/livros/filosofia/dialogo-sobre-a-alegria-46491061).





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