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QUEM SOU

Professor de Filosofia, gosto da palavra, que vem em forma de vivência, depois reflexão e, por fim, escrita (ou seria tudo junto, ao mesmo tempo?). Escrevo artigos, ensaios, livros e poemas. Abasteço meu pensamento em autores como Nietzsche, Schopenhauer e Hans Jonas e tento pensar sobre problemas que nos afetam sob esses espaços infinitos que nos ignoram.

Entre meus livros, estão os 3 volumes da Coleção Sabedoria Prática ("Sabedoria Prática", "Filosofia da Viagem" e "Elogio à Simplicidade", que já estão na terceira edição). Ano passado lançamos, Marcella Lopes Guimarães e eu, a Coleção Café com Ideias, cujo primeiro volume é "Diálogo sobre o Tempo: entre a filosofia e a história". Você pode encontrar no site: www.livraria.pucpr.br

Além disso escrevi "A solidão como virtude moral em Nietzsche"; "Para uma ética da amizade em Friedrich Nietzsche" e "Compreender Hans Jonas". Sou co-autor de: "Ética, técnica e responsabilidade"; "Vida, técnica e responsabilidade"; "Ética de Gaia"; entre outros.


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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018






Enquanto no Brasil, a bancada da bala volta a discutir a ideia absurda de flexibilizar as leis de posse de armas de fogo, nos Estados Unidos o Senhor Trump anuncia a despautéria solução para combater os massacres nas escolas norte-americanas: armar os professores. A fala, além de viperina e quase ridícula, traduz a crise das autoridades parentais que esfola o mundo contemporâneo e da qual o presidente Trump é um dos filhotes mais falastrões e danosos. Trump quer armar os professores porque ele não acredita na educação, mas apenas na força e na violência, que são o seu contrário. Junto com ele há muita gente, com faixas a favor da militarização da sociedade, do estado de exceção e das ditaduras grandes e pequenas que crescem no Brasil e fora dele. Com Trump estão pais bedéis prontos para apontar o dedo contra aquele a quem a sociedade confiou a sua tarefa mais importante. Em Londrina, norte do Paraná, uma professora foi denunciada porque mostrou aos alunos diferentes modelos de família; em Curitiba, um professor de história foi acusado de comunista porque escreveu o nome do MST em uma prova; e foi também na capital do Estado que um pseudo-jornal montou um sistema de denúncia contra professores por presumidas falas partidarizadas. Nas redes sociais, uma publicação oferecia cinquenta reais para estudantes que delatassem professores que estivessem fazendo o que o MBL chamou de “doutrinação ideológica”. O professor é perseguido e vigiado, enquanto dele se exige mais do que ele pode dar.

Por isso, parece mesmo que o professor precisa de uma arma. Não uma que atire e mate, mas que proteja e eduque. Armemos os professores com salários justos. Coloquemos as professoras em sala de aula armadas com materiais didático-pedagógicos de qualidade, com metodologias ativas e inovadoras, apoiadas em tecnologias educacionais viáveis e eficientes. Armemos os professores com o giz branco da paz, que escreve o nome de nossas crianças, quase como uma palavra sagrada, que traduz os mundos que queremos para o futuro. Armemos as professoras com livros, tabletes e outros dispositivos capazes de aproximar os estudantes do conhecimento a fim de que nasça a revolução mais séria e duradoura que uma nação possa desejar. Armemos os professores com saberes, informações, competências, valores e atitudes. Armemos as professoras com percepção, sensibilidade, inteligência e capacidade de raciocínio. E ofereçamos cursos de tiro ao alvo, como treinamento eficaz contra a cegueira, a ignorância e a submissão das mentes juvenis. E nesses cursos, que ensinemos o perigoso ato da rebeldia, do senso crítico, da dissonância e do dissenso.

Assim, armados, os professores e professoras adentrem nas salas de aula de cabeça erguida, sorriso alto e plena autoestima. Nenhum medo, nenhum pânico, nenhum sangue. Como profissional reflexivo, estimulador da aprendizagem e agente de sua própria formação, sua arma seja o testemunho, o conhecimento e a força de resistência. Nas suas mãos, um arsenal de atividades lúdicas, exercícios criativos e significativos capazes de matar a preguiça e o desinteresse e fomentar a participação, a autonomia e o senso crítico.

Sim, devemos armar os professores. Não com artefatos lançadores de projéteis mortais capazes de transformar uma sala de aula em um campo de guerra, mas com os únicos aparelhos capazes de trazer a desejada paz social, aquela que nasce da justiça e dos outros valores que só a educação pode cultivar.





sexta-feira, 26 de janeiro de 2018







Atualmente somos 7 bilhões de habitantes no planeta Terra, mais da metade vivendo em grandes metrópoles. As cidades, criadas para serem lugar de proteção e paz, transformaram-se em espaço de medo e de fragmentação dos laços comunitários. O crescimento desmedido e descontrolado, a falta de acesso aos serviços públicos, a poluição dos solos, rios e ares, tornaram a maior parte de nossas cidades lugares muito pouco saudáveis para viver. Vivemos em meio ao caos urbano e muitas cidades são grandes estruturas que não funcionam, gastando energia e água em excesso.
Além disso, o estilo de vida urbano tem sido extremamente agressivo ao meio ambiente. Cresceu entre nós a ideia de que a cidade é uma espécie de paradigma dos valores da modernidade, como progresso, novidade e liberdade, em contraposição à vida rural, tida como atrasada e, não raras vezes, fracassada. Esse estilo de vida, que inclui o consumo desmedido de mercadorias e que transformou a natureza em uma mera fonte de recursos disponíveis para financiar esse desenvolvimento, acabou por gerar a maior crise ética da história da humanidade.
Diante dessa realidade, temos dois desafios. [1] Somos convidados a construir uma experiência de cidade a partir de valores como prudência, fraternidade e respeito. Contra a fragmentação e o medo, as CEBs são Igreja em casa, experiência de visitas, presença e fraternidade; contra o estilo de vida individualista, consumista e irresponsável, as CEBs (Comunidades Eclesiais de Base) querem construir uma cidade que seja espaço do bem-viver, do desenvolvimento pleno das capacidades humanas, de criação de identidade pessoal, de fortalecimento das relações interpessoais e comunitárias e de cuidado ambiental. [2] Além disso, somos convidados a amar as gerações do futuro como o nosso novo “próximo”, diante do qual precisamos mudar os nossos comportamentos e hábitos, a fim de proteger e cuidar da vida e das condições de sobrevivência. Nas palavras do Papa Francisco na Laudato Si, é preciso cuidar da cidade, para melhorar “o nosso sentido de pertença, a nossa sensação de enraizamento, o nosso sentimento de ‘estar em casa’ dentro da cidade que nos envolve e une”.



terça-feira, 28 de novembro de 2017




O recorde demográfico urbano, aliado aos desafios em termos de habitação, mobilidade, alimentação, emprego e questões ambientais, tornou-se um dado central para pensarmos a própria humanidade. É preciso, mais do que nunca, avaliarmos o impacto desse cenário sobre as relações humanas, a constituição das subjetividades, seu passado e suas potenciais futuras.
Eis a problemática que mobilizou um filósofo e dois arquitetos urbanistas para debater o tema da cidade. O resultado é um livro instigante e provocativo, escrito em uma linguagem ensaística e dialogal, cuja acessibilidade torna a leitura instrutiva e aprazível. A soma de referências teóricas de cada uma das áreas, os relatos de experiências de cada um dos autores, as citações de poemas, filmes e obras de arte em geral são os ingredientes benéficos que fazem dessa obra um diálogo interdisciplinar sobre um dos temas mais importantes da nossa vida contemporânea.
De um lado, Jelson Oliveira nos mostra como a filosofia, ao longo dos tempos, se importou com o tema e como ela continua útil para pensar os desafios da vida urbana, sobretudo do ponto de vista ético. De outro, Andrei Crestani e Clovis Ultramari oferecem um olhar crítico sobre a tradição da arquitetura e do urbanismo, responsáveis pelo planejamento objetivo da cidade, cujos reflexos eles identificam nos modos como os seres humanos organizaram a sua vida desde tempos primordiais.
O livro é o terceiro volume da Coleção “Café com Ideias”, da PUCPRess, que já lançou Diálogo sobre o tempo e Diálogo sobre a alegria, escritos por Jelson Oliveira e a historiadora Marcella Lopes Guimarães.
Seguindo a abordagem interdisciplinar da coleção, o presente volume está dividido em cinco capítulos: no primeiro, os autores analisam a dificuldade de decifrar o conceito de cidade; no segundo, saem em busca das cidades invisíveis que se escondem por trás daquilo que é visto de imediato; no terceiro formulam uma das teses centrais do livro, segundo a qual a cidade é uma experiência, o que implica que, para falar a seu respeito, é preciso recorrer às nossas memórias pessoais e coletivas; a partir dessa constatação, o quarto capítulo trata de analisar como a tradição teórica de cada uma das obras contrasta os ideais de cidade às cidades reais –isso é feito com referência às principais obras que formaram o pensamento dos autores a respeito da cidade. O livro termina, no quinto capítulo, com a confissão dos autores, que falam do dissenso e das tensões de suas próprias escritas, expressando com isso as dificuldades e até mesmo as impossibilidades de enfrentamento do tema, concluindo, afinal, sobre a pluralidade e a multipli-cidade das nossas experiências urbanas.
Por isso tudo, a obra interessa a pesquisadores, professores e estudantes da filosofia, da arquitetura, do urbanismo e de áreas afins. Interessa também àqueles que desejam praticar o pensamento com crítica e elegância, fomentando a reflexão sobre a vida cotidiana, que se compõe das experiências do trânsito, das compras, da velocidade das avenidas, do aconchego das moradias (ou da falta delas), das praças e dos monumentos, dos afetos e dos medos que transitam no mundo intra-humano das cidades que habitamos.

TÍTULO: “DIÁLOGO SOBRE A CIDADE”
COLEÇÃO: “Café com Ideias”, volume 3
AUTORES: Andrei Crestani, Clovis Ultramari e Jelson Oliveira
EDITORA: PUCPRess.

LANÇAMENTO E BATE-PAPO COM OS AUTORES
07.12.17, às 19h, na Livraria da Vila (Shopping Pátio Batel)