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QUEM SOU

Professor de Filosofia, gosto da palavra, que vem em forma de vivência, depois reflexão e, por fim, escrita (ou seria tudo junto, ao mesmo tempo?). Escrevo artigos, ensaios, livros e poemas. Abasteço meu pensamento em autores como Nietzsche, Schopenhauer e Hans Jonas e tento pensar sobre problemas que nos afetam sob esses espaços infinitos que nos ignoram.

Entre meus livros, estão os 3 volumes da Coleção Sabedoria Prática ("Sabedoria Prática", "Filosofia da Viagem" e "Elogio à Simplicidade", que já estão na terceira edição). Ano passado lançamos, Marcella Lopes Guimarães e eu, a Coleção Café com Ideias, cujo primeiro volume é "Diálogo sobre o Tempo: entre a filosofia e a história". Você pode encontrar no site: www.livraria.pucpr.br

Além disso escrevi "A solidão como virtude moral em Nietzsche"; "Para uma ética da amizade em Friedrich Nietzsche" e "Compreender Hans Jonas". Sou co-autor de: "Ética, técnica e responsabilidade"; "Vida, técnica e responsabilidade"; "Ética de Gaia"; entre outros.


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sexta-feira, 10 de março de 2017




Hoje, 10.03.17, Marcella Lopes Guimarães e eu lançamos o segundo volume da Coleção Café com Ideias, cujo título é “Diálogo sobre a alegria”. Quando a gente começou a conversar, logo nos veio à mente a pergunta sobre a atualidade desse assunto: não seria insano ou alienado falar de alegria em uma época de tantas tristezas e tragédias humanas? A pergunta carregava também, provavelmente, aquele velho preconceito contra a alegria, típico dos que acreditam que o riso é abjeto e equivocado, enquanto o drama é mais digno diante da condição humana que, como todos sabemos, é marcada por estorvos capazes de desanimar qualquer um de nós.
Foi justamente essa perspectiva que me animou nesse projeto. Eu escrevi sobre a alegria, primeiro, porque eu tinha uma companheira de conversa, com quem partilhei os desafios e as esperanças desse tema, da arte da escrita, da forma de abordagem e, principalmente, da compreensão e cumplicidade indispensáveis para quem quer conversar e escrever conjuntamente. E porque dialogar é uma urgência. Mas eu escrevi sobre a alegria, também, porque esse tema torna possível uma nova interpretação de antigos temas que frequentam a filosofia de meus autores prediletos, entre os quais está Nietzsche, cuja obra poderia muito bem ser costurada com o fio condutor da alegria, a começar pel’A Gaia Ciência, esse conhecimento alegre e por Assim Falou Zaratustra. A alegria é a minha oportunidade para revisitar a filosofia que eu leio, que eu gosto e que, por isso, me alegra. E ao fazê-lo, faço como quem volta à fonte com a lição de Heráclito: sabendo que nesse leito, a água nunca é a mesma.
Eu escrevi sobre a alegria não apesar da tristeza, mas justamente por causa ela. Porque a alegria é uma forma de resistência contra os sistemas que fabricam as tragédias cotidianas de milhões de pessoas ao redor do mundo. Porque ela é um impulso vital capaz de nos tirar da passividade, da descrença e da desesperança, para retomar as batalhas que são nossas, no cotidiano. E porque pensar sobre essa força maior, é tanto se preparar para enfrentar as tristezas quanto uma forma de combater a estéril obrigação da alegria, vendida nas vitrines dos shoppings centers e popularizada nas propagandas de margarina.
Eu escrevi sobre a alegria porque essa é uma forma de arejar o pensamento. Eu escrevi sobre a alegria porque, sendo necessária, ela está em falta. Porque seu sentido se perde facilmente e precisa ser resgatado. Porque nem tudo está perdido. Porque zombar do sistema é uma forma privilegiada de combate. E porque, às vezes, o riso é uma resposta adequada às estruturas que propagam a seriedade como regra para tirar benefícios da dor alheia.
Eu escrevi sobre a alegria, sobretudo, porque gosto de estar entre amigos, de festejar a vida na sua intensidade, de entregar e receber flores e vinhos. Eu escrevi sobre a alegria porque ela está na minha agenda diária como meta e porque eu desejo que nossas vidas sejam lubrificadas por dias ensolarados de necessidades e desejos satisfeitos.
Obrigado à PUCPRESS por apoiar esse projeto. Obrigado à Marcella pela honra da amizade e da parceria. Obrigado aos familiares, amigos e leitores, pelo incentivo e reconhecimento.




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