DESCULPE A FILOSOFIA. DESCULPE, HÁ FILOSOFIA.
O professor de filosofia é daqueles seres que precisa se desculpar por existir. “Desculpem, estou aqui para o bem de vocês!”, titubeia entre apaixonado e vexado a cada início de semestre, enquanto eles, os estudantes, olham com estranheza o desengonço do ser que, ali, parece trazer notícias de mil profundezas. Como pode que alguém ainda insista em pedir-lhes que leiam um texto tão velho quanto o de Aristóteles ou aquelas chatices de um Descartes ou de um Kant, entre picumãs e teias de aranha? Como pode que alguém ainda acredite que essas antiguidades caibam no currículo, que tenham hora marcada, prova e outras exigências acadêmicas? É preciso convencê-los do valor do pensamento em época em que a ignorância e a preguiça do pensar grassam a todo vapor. É preciso convencê-los da importância da antiguidade em época em que o imediatismo e o utilitarismo reinam incessantes, sob a perenização e a glamurização do presente absoluto. É preciso mostrar-lhes aquela utilidade...