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QUEM SOU

Professor de Filosofia, gosto da palavra, que vem em forma de vivência, depois reflexão e, por fim, escrita (ou seria tudo junto, ao mesmo tempo?). Escrevo artigos, ensaios, livros e poemas. Abasteço meu pensamento em autores como Nietzsche, Schopenhauer e Hans Jonas e tento pensar sobre problemas que nos afetam sob esses espaços infinitos que nos ignoram.

Entre meus livros, estão os 3 volumes da Coleção Sabedoria Prática ("Sabedoria Prática", "Filosofia da Viagem" e "Elogio à Simplicidade", que já estão na terceira edição). Ano passado lançamos, Marcella Lopes Guimarães e eu, a Coleção Café com Ideias, cujo primeiro volume é "Diálogo sobre o Tempo: entre a filosofia e a história". Você pode encontrar no site: www.livraria.pucpr.br

Além disso escrevi "A solidão como virtude moral em Nietzsche"; "Para uma ética da amizade em Friedrich Nietzsche" e "Compreender Hans Jonas". Sou co-autor de: "Ética, técnica e responsabilidade"; "Vida, técnica e responsabilidade"; "Ética de Gaia"; entre outros.


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quarta-feira, 9 de novembro de 2016





Não quero falar sobre a verborragia, os insultos e a estupidez dele. Nem lembrar que ele foi tirado da escola aos 13 anos por ter batido em seu professor. Nem que ele é um magnata que embarca em qualquer ideologia política de direita com a mesma desenvoltura que sobe em seu Boeing 757 privado. Não quero escrever sobre esse homem que promete impedir o Acordo de Paris, erguer um muro contra o México e perseguir imigrantes e outros indesejados. Nem escrever que ele sonegou impostos durante anos e se achou inteligente por isso. Nem sobre seu fascismo descarado, sua misoginia, homofobia e todas as doenças que deviam estar sepultadas no mundo de hoje, mas não. Nem sobre o estrago nas bolsas que a sua eleição provocou. Nem sobre o silêncio e o susto estampado no rosto de qualquer pessoa decente.
Não. O que mais me preocupa não é necessariamente a vitória desse homem, possibilidade já premeditada na escolha do menos pior entre dois. O que mais me preocupa é quem ganhou com ele, quem celebra nessa manhã o seu triunfo e o que isso representa. Tremo por imaginar que essa gente se sente agora encorajada, que volte a acreditar que o seu mundo de preconceitos e discriminações tem apoio popular, que suas encomendas de horrores, privilégios e violências seja de novo possível. Alguns desses nomes passaram a noite celebrando a sua própria vitória em taças de cristal Diamonds in Glass, entre os quais está Jean-Marie Le Pen, o perseguidor de imigrantes na França e David Duke, o ex-líder da Ku Klux Klan, organização violenta defensora da supremacia branca norte-americana. Essa gente mata de novo os sonhos de Luther King, de Harvey Milk, Angela Davis e sua gente. 
A frase de Duke publicada hoje nos jornais não poderia ser mais reveladora a respeito do passado (ops!, digo, futuro) sombrio que nos espera: “Deus o abençoe. É hora de fazer a coisa certa. É hora de tomar a América de volta”. A frase é reveladora porque ela traduz alguns dos sentimentos mais terríveis de nossos tempos: a ideia de que um país pode ser de uns e não de outros, a ideia de que um país pode ser tomado de volta para os privilégios de alguns contra os direitos de outros e a ideia de que Deus pode abençoar esse ato. Engana-se quem acha que Duke não passe de um histriônico ou que esse tipo de pensamento seja minoritário. A vitória de Trump é a prova contrária: ganhou o mal revestido de fanfarronice (o pior tipo de banalidade), o que significa que seu discurso tem maioria nas terras do tio Sam.  A vitória de Duke trouxe a Ku Klux Klan para o centro do cenário político mundial. Tirou o Le Pen do ostracismo, deu voz ao ultra-direitista russo Yirinovski e até a Bolsonaro, que prometeu fazer o mesmo no Brasil em 2018, deus nos livre, amém. 
Ganharam com Trump os maridos machistas que batem todos os dias nas suas esposas, os alunos violentos que agridem seus professores, os jovens que mataram os travestis da Av. Paulista, os policiais que assassinaram os cinco jovens no subúrbio do Rio na semana passada, os que não se interessam por políticas ambientais, os que defendem a pena de morte como solução, os que acreditam que direitos humanos é coisa de bandido, os que dizem não gostar de negros, de gays, de muçulmanos, enfim, toda essa gente que me dá medo. Ganharam com Trump todos os meus fantasmas.
O chefe da campanha de Hillary mandou o povo ir para casa, descansar e dormir. Frase infeliz. Impossível dormir com um barulho desses. Nunca foi tão importante ficar acordado, vigiar como quem espera não mais o desconhecido, mas o criminoso legitimado pelo voto, amparado pela democracia, apoiado pela maioria. Não senhor John Podesta, não é hora de descansar. Agora, mais do que nunca, é hora de acender lanternas para atravessar essa extensa noite. Não foi justamente por isso que Frédéric Auguste Bartholdi colocou na mão direita da Estátua da Liberdade uma tocha dourada? Em tempos de escuridão é que a luz é mais necessária.