Seguidores

QUEM SOU

Professor de Filosofia, gosto da palavra, que vem em forma de vivência, depois reflexão e, por fim, escrita (ou seria tudo junto, ao mesmo tempo?). Escrevo artigos, ensaios, livros e poemas. Abasteço meu pensamento em autores como Nietzsche, Schopenhauer e Hans Jonas e tento pensar sobre problemas que nos afetam sob esses espaços infinitos que nos ignoram.

Entre meus livros, estão os 3 volumes da Coleção Sabedoria Prática ("Sabedoria Prática", "Filosofia da Viagem" e "Elogio à Simplicidade", que já estão na terceira edição). Ano passado lançamos, Marcella Lopes Guimarães e eu, a Coleção Café com Ideias, cujo primeiro volume é "Diálogo sobre o Tempo: entre a filosofia e a história". Você pode encontrar no site: www.livraria.pucpr.br

Além disso escrevi "A solidão como virtude moral em Nietzsche"; "Para uma ética da amizade em Friedrich Nietzsche" e "Compreender Hans Jonas". Sou co-autor de: "Ética, técnica e responsabilidade"; "Vida, técnica e responsabilidade"; "Ética de Gaia"; entre outros.


Marcadores

Tecnologia do Blogger.

Pesquisar neste blog

sexta-feira, 29 de abril de 2016


Foto: Daniel Castellano/Agência Gazeta do Povo


Na República de Curitiba, alguns sórdidos desejos da nação já se realizam. Há exatamente um ano, o governador do Paraná, Beto Richa e seus aduladores, colocaram a polícia contra professores e professoras, repetindo com a mesma repugnância, o que seu colega Álvaro Dias tinha feito em 1988. Embora as cenas tenham percorrido o mundo, o crime vem sendo cimentado pela impunidade. Na cabeça desses senhores, o professor merece apanhar. Por que?

* * *

Ele escolheu uma profissão precária. Na porta do banheiro do bloco onde ele estudou, está escrito – entre ironia e violência – que aquele é o lugar dos fracassados. Ele não teve capacidade ou dinheiro para ir mais longe, por isso estacionou na sala de aula, onde aprendeu aos poucos, a manejar uma triste arte da sobrevivência, em meio às precariedades, que incluem a falta de materiais, os baixos salários, os desinteresses e as agressividades de uma sociedade inteira. E por isso, ele aprendeu, desde cedo, a reclamar. E ele reclama seus direitos até parecer ranzinza. Seus motivos são muitos e somam-se em um cotidiano que a sociedade, por não saber como enfrentar, prefere omitir. A escola, aos poucos, torna-se um monumento da indiferença. E quando pública (desculpem o tom desaforado), um depósito da pobreza - pra que vela muita pra defunto pouco? Esses meninos nunca serão nada!
Ela levanta cedo. Mora longe. Vai de ônibus ou de carro comprado a prestação – carnê sempre vencido, no porta-luvas. Vende calcinhas no recreio para completar a renda. Come a merenda da escola, entre desejo e arrependimento, quase contra a lei. Ela leva tarefas para casa, aos montes. E lá, no meio da madrugada, ela perde horas de sono, sem que ninguém veja. Decifra hieróglifos, entre os quais, vez ou outra, se emociona com elogios. Ela vai em velórios de alunos e ex-alunos sacrificados pela droga, pelos acidentes do trânsito ou pela violência doméstica. Ela ouve confissões sem saber o que dizer. Um dia, do nada, um inverno interior lhe tira o sono. Uma síndrome qualquer. Um medo de não sei o que, uma fobia sem nome, um nome sem sentido...  
Ele merece apanhar porque, como funcionário público, tem pretensa estabilidade (o PSS garante permanência para alguém?) e custa caro aos cofres públicos. Muitas vezes sob o aplauso dos fascismos de plantão, ele merece apanhar porque escolheu fazer parte de uma estrutura agonizante. Assim, [des]financiada pelo Estado, a escola definha. E porque definha, recebe as pedradas sociais de todos os lados, inclusive de seus usuários. Invasões, incêndios e vandalismo são realidades cotidianas que afetam a escola, sem que ninguém se incomode. A cada noite, depois que a sirene toca e todos voltam pra casa às pressas, a escola fica mais pobre de si mesma. A contabilidade dos números segue seu ritmo funesto enquanto seus personagens, os professores, apanham em praça pública. Nenhum problema nisso. Fizeram por merecer.
Ela atrapalha o mandato dos opressores, para quem o silêncio da vítima é uma exigência indiscutível. Ela ensina a pensar, quando é preciso calar, obedecer, baixar a voz, emudecer. Ela fala de direitos humanos e elogia a democracia, quando é tempo de suspensão; e de tolerância, quando é hora de agressão. E ensina a coragem, quando é tempo de medo. Seu antípoda, o deputado que elogia o torturador, é recebido com festa e colhe as bênçãos de seu próprio deus na “república” em que ela é agredida. Ela, a professora, promove o pluralismo e outras obsolescências. Não é tempo para isso. Bombas contra ela, carros, cachorros e cavalos!
Ele aprendeu, desde muito cedo, a se organizar. Paga o sindicato e, como poucos, participa o quanto pode. Viaja de longe para os atos da capital, para a cidade que, em meio ao caos, grita contra a incômoda presença. Melhor teria sido ficar na escola, esse esconderijo do feio, essa prisão do indesejável. Assim, organizado, ele não receberá homenagem, nenhuma menção honrosa, nenhum crédito. Quem manda fugir ao estereótipo do “meu mestre, minha vida”. Não aceitou ser o personagem meloso dos filmes de Hollywood. Ele não representa bem o papel do mestre milagroso que altera os destinos com talentos para as artes da comédia. Seu tablado não é palco! Ele não é o ator que deveria. Ele não é o palhaço que todos desejam. Ao contrário, sua arte cobra disciplina, rigor, noites sem sono, concentração em exames, provas constantes. Quer a presença da família. Manda recado para os pais que, cansados, não querem saber dos filhos – pra que, afinal, existe a escola? O professor incomoda. Bomba nele!
O professor merece apanhar porque não é assim, afinal, que se constrói um ser humano no mundo contemporâneo. Ele e suas demandas estão fora de moda. Queremos mais graça, mais piada, mais facebook, mais videogame. Professor: menos aula, por favor! 

PS. Triste não é meu texto. Triste é a realidade que levou a ele.












terça-feira, 26 de abril de 2016


               Acaba de ser lançada pelo selo PUCPRess, da Editora Champagnat, a terceira edição da coleção “Sabedoria Prática”, de Jelson Oliveira, professor do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da PUCPR. Na nova edição, os três livros que formam a coleção saíram com novas capas, que destacam o tema de cada obra: o primeiro volume “Sabedoria Prática”, é ilustrado com uma casa à beira do rio, em referência à tarefa da filosofia de conferir os alicerces da nossa vida; o segundo, intitulado “Filosofia da viagem”, traz a bicicleta, símbolo do espírito livre e da coragem de viajar; o terceiro, “Elogio à simplicidade” recupera a imagem da árvore, que nos coloca diante do sentido mais primordial de todas as coisas.

              Essas três imagens são metáforas filosóficas da reflexão proposta por jelson Oliveira sobre o sentido de habitar a casa, sobre a coragem da aventura para além das seguranças e sobre a necessidade de vivermos de forma mais simples. Casa, bicicleta e árvore se articulam em uma obra de linguagem acessível e agradavelmente azeitada por referências a diversos autores da história da filosofia.
      Os livros interessam, por isso, a todos que querem pensar sobre os problemas de nosso tempo, inspirados pela herança cultural que herdamos. São, por isso, não só um convite à filosofia, mas um experimento do filosofar – seja para os iniciados, seja para quem escolheu o pensamento como alternativa.
     Assim, de cara nova, os livros estão ainda mais fascinantes.

Pedidos:



Os livros também podem ser adquiridos na Livraria Champagnat, no bloco amarelo, da PUCPR.